sexta-feira, 23 de março de 2012

Memória (Arcídio e Soligo - 1959)


Eleições Municipais (1959) - Comitiva de apoio aos candidatos Arcídio Castilho e Reinaldo Soligo, preparando-se para um comício em Nova Palmira.
(foto: Acervo de Rita Aleixo Colombo).

Falando difícil

Nos anos 70 Zé do Braz era o melhor partido da cidade.

Moço novo, bem apessoado, filho de fazendeiro e estudante de direito. As moças suspiravam quando ele passava pelas ruas dirigindo sua vistosa camionete.

Certa vez uma delas avisou as amigas que tudo faria para conquistar o coração do moço. Passou a aproveitar as poucas oportunidades em que ele aparecia na cidade para colocar em prática sua estratégia de conquista.

Dias depois, conseguiu que ele a convidasse para um passeio de camionete. Depois dos primeiros beijos ele arriscou um convite mais audacioso:

- Vamos sair daqui para um lugar mais tranquilo?

E ela, querendo mostrar um pouco de instrução e ao mesmo tempo furtar-se ao insinuante convite:

- O que é que você está incinerando?

quarta-feira, 7 de março de 2012

Memória 115 (EE Tonico Barão - Anos 90)


EE Tonico Barão (Anos 90) - Keila Garcia, Simone Zoccal, Larissa, Fernanda Cintra, Analice Sbroggio e Ana Carolina Vidal. Segunda fila: Ivanda Mota, Luciana Andretta, Marcella Cruzeiro, Marcela Galvão, Ana Lúcia Galvão e Kenia Garcia.

Outra foto da apresentação.
Atualização em 22/03/2012: A pedido da própria, corrigimos o nome de Fernanda Cintra, que havia sido indicada como sendo Fernanda Brandão.

terça-feira, 6 de março de 2012

Pinga-Fogo 4

Sidnei Constantino trabalhava no antigo bar do Pedrinho Giamatei, o mesmo que havia pertencido a Okuyama e Eliseu Bernabé. Muito moleque ainda, vivia pedalando uma bicicleta Monareta pelas ruas da cidade e cantando uma famosa música do Tião Carreiro: "Oh! vida amargurada / quanta dor que sinto nesse momento em meu coração / Oh! que saudade dela / não aguento mais vou lá na vendinha tomar um pingão...". A constante repetição da história do pingão logo virou apelido: Pinga-Fogo.

Certa vez Pedrinho decidiu investir noutro ramo e abriu uma pequena fábrica de cuecas tipo 'samba-canção'. Como o movimento do bar andava meio parado, convenceu o empregado a tentar a sorte como representante comercial do empreendimento. O moleque estranhou a proposta, pois as únicas vendas a que estava acostumado eram de doses de cachaça para os frequentadores do bar, quase todos bem conhecidos na cidade. Porém, para não desagradar o patrão decidiu encarar a timidez. Juntou uma sacola cheia de amostras, foi até o Bar do Toninho Mendonça e montou num ônibus com destino a Nhandeara.

Durante a viagem matutava sobre a nova empreitada, ensaiando formas de abordar os lojistas e oferecer os produtos. Desceu do ônibus e assim que entrou na primeira loja de roupas que avistou foi imediatamente atendido por duas moças muito bonitas e atenciosas. Quando uma delas perguntou se podia ajudá-lo, tentou falar sobre a mercadoria que trazia, mas não encontrou as palavras.

- Tô dando só uma olhadinha... - sussurrou...

Mexeu numas prateleiras, virou umas camisas para lá e para cá, e a coragem não veio. Na mão, a sacola cheia de amostras de cuecas. Olhou de novo para as moças e nada de atitude; o caipirismo falou mais alto. Saiu de cabeça baixa e voltou à rodoviária, onde soube que a próxima jardineira para General Salgado só sairia dali duas horas, teria que esperar.

Na volta reencontrou o patrão, ansioso por boas notícias sobre as vendas.

- E aí Pinga-Fogo, vendeu bem?

- Que nada Pedrinho, tá todo mundo com o estoque lotado... Ninguém quis comprar!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Memória 114 (Maluko 30 Anos)

Durante o carnaval de 2012 o Bloco PB! homenageou os trinta anos de fundação do Bloco Maluko, cuja história contamos aqui no blog (clique aqui). Os antigos foliões do Maluko - hoje quase todos no PB! - se reuniram para comemorar o evento, que contou com a exibição nos telões de fotos dos antigos carnavais salgadenses, e a leitura da crônica "Trinta Anos", publicada neste blog (clique aqui). As fotos adiante mostram alguns dos carnavais do Maluko.

1982 - Tino Sorroche, Zé Roberto Iannela, Birolinho, Suziê Yano, Carlos José de Almeida, Elane Arruda, Valdir Cardoso, Alexandre Sorroche, Regina Cervantes, Beto Ráo, Nelson Seraphim Junior, Lezir Cardoso, João Duran, Míriam Carvalho e Zé Antonio Fernandes.

1982 - Valdir Cardoso e Eliana Marques sobre o carro que puxava o barulhento cortejo do Maluko pelas ruas da cidade.

1983 - David Cristoni, José Eustáquio, Valdir Borges, Zé Antonio Fernandes, Beto Ráo e Alexandre Sbroggio comandam a batucada do Maluko.

1983 - Sandra Guerra e Míriam Carvalho exibem a faixa que abria o desfile do bloco.

1984 - Embalados pela batucada do Grupo Terra, o Maluko canta seu samba pelas ruas da cidade. Na foto: Angela Cavenague, Eliana Marques, Beto Ráo, Paulo Sales, Elane Arruda e Agnaldo Costa. As crianças são: Juliana Salla e Priscila Cabrera.

1984 - Eliana Marques, Nelson Seraphim Jr, Cássia Giamatei, Míriam Carvalho, Zé Antonio Fernandes, Marquinhos Secches e Bacana Guimarães.

1984 - Paulo Sales, Cristiane Neves e Beto Sales aparecem ao lado do casal Célia e Roberto Sales (ex-gerente do Banespa), que por alguns anos cederam a casa para os festejos do bloco.

1984 - Angela Cavenague, Ocimar (Grupo Terra), Eliana Marques, Míriam Carvalho, Elane Arruda, Cristiane Neves e José Afonso Júnior (Jacaré).

1984 - salões do Salgadense Esporte Clube: Cássia Giamatei, Marquinhos Secches, Zé Antonio e Míriam Fernandes.

1985 - Vilmar Prado, Beto Sales, Carlos José, Nelson Seraphim Jr, Zé Antonio Fernandes, Paulo Sales e Tino Sorroche. As crianças são Caiçara e Ivan Fernandes.

1985 - Míriam Carvalho, Norma Santos, Carlos José e Angela Cavenage. No lado esquerdo, ao fundo, aparecem Célia Sales e a inesquecível Professora Dona Lúcia Seches. No canto direito, Marcellus Fantini (Geada).

1985 - Cristiane Neves, Carlos José, Cláudia Oliveira e Marcellus Fantini (Geada).

1985 - colagem onde aparecem Norma Santos, Míriam Carvalho, Angela Cavenage, Zé Antonio Fernandes, Eliana Marques, Carlos José de Almeida, Cristiane Neves, Cláudia Almeida, Ecléia Fantini, Luciana Salla, Lucien Fernandes, Cláudia Oliveira, Suziê Yano, Cássia Giamatei, Mila Garcia, Yamara Castilho e Nelson Seraphim Júnior.
(clique na foto para ampliar)

1986 - entre os foliões do Maluko, Marino Seches Junior (Tia Maria) aparece vestindo um abadá do carnaval baiano (azul). De chapéu, no canto esquerdo, Vande Mendonça.

1988 - João Grilo, Gustavo Martins, Domingos e Cida Almeida, que por vários anos contribuíram com doações para os churrascos do bloco.

1990 - Roda de Samba do Maluko.

1992 - o bloco comemorou 10 anos. Osmar Prado, Mauro Bertochi, Marquinhos Secches, Vilmar Prado e Carlos Dadona.

2010 - Malukos reunidos no PB!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Memória 113 (Josi Mara e Filó, Carnaval 1995)


Carnaval 1995 - A repórter Josi Mara, da Rede Globo, entrevista a salgadense Filó Iannela no carnaval de 1995. Josi, que enquanto trabalhava na Globo visitou a cidade em diversas oportunidades, deixou o jornalismo e atualmente vive na Califórnia (EUA).
(foto: Álbum de Filó Iannela)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Trinta Anos

No início do ano de 1982 formávamos um grupo de adolescentes salgadenses ávidos por um pouco de diversão, por descobertas e aprendizado. Nosso contato com o mundo exterior se dava, como normalmente acontecia nas pequenas cidades interioranas, principalmente pelo noticiário de televisão e jornais. Mas, tínhamos especial apreço pelas informações e novidades contadas pelos salgadenses que haviam deixado a cidade algum tempo antes em busca de melhores condições vida, estudo e trabalho.

O retorno destes amigos à cidade era motivo de festas, reuniões e muita curiosidade de nossa parte. Ouvíamos com atenção e profundo interesse o que contavam do mundo lá fora. Isso acontecia de um modo muito natural, pois sabíamos que, logo chegaria a nossa hora de experimentar tudo aquilo, tomar decisões pessoais importantes, que assinalariam todo o nosso futuro. Olhando hoje para trás e ao meu redor, notando tudo o que aconteceu conosco ao longo desses anos, percebo o quanto aquele período influenciou positivamente os nossos preparativos para o que nos aconteceria.

Havíamos adentrado a puberdade e ainda sentíamos as consequências naturais dessa fase em que o desenvolvimento físico nos aproximava dos adultos, criando um ambiente emocional repleto de sentimentos oscilantes. Relações com o sexo oposto, cobranças do meio social, escolhas profissionais, formação de identidade e independência intelectual, formavam a matéria prima que a vida nos disponibilizava para que moldássemos, cada um a seu modo, o nosso desenvolvimento humano, a nossa maturidade social. O alvorecer da juventude nos impelia a dar início às nossas próprias aventuras, aceitar as mudanças psicofisiológicas, enfrentar os desafios do nosso meio, pensar em possibilidades... agir. 

Em fevereiro de 1982, porém, não estávamos muito preocupados com o que acontecia no resto do Brasil e no mundo. Dávamos pouca atenção às notícias que diziam que o país se preparava para dar adeus às belezas naturais de Sete Quedas; que teríamos eleições estaduais no final do ano; e que a censura perseguia sem descanso os meios de comunicação, a música e as artes. Por um lado, estávamos tristes pela perda precoce e inexplicável da adorada Elis Regina, o maior talento artístico do país naquele momento, e por outro, alegres e esperançosos com os resultados do time que Telê Santana preparava para disputar a Copa do Mundo da Espanha.

Um dia alguém sugeriu a criação de um bloco de carnaval para frequentar os bailes do Salgadense Esporte Clube e abraçamos a idéia. No dia 19 de fevereiro de 1982 saímos pelas ruas da cidade mostrando nossa corajosa opção pela alegria de viver. Os homens vestiam camisetas negras com um palhaço estampado nas costas, as mulheres vestiam vermelho e mostravam uma pantera negra. Sobre as estampas um nome festivo e descompromissado: Maluko. Na frente todos traziam os sinais da identidade que buscávamos formar: os próprios nomes.

Mostrar nossa alegria reunindo os amigos, cantando pelas ruas, brindando cerveja e festejando nos salões do clube, ainda era muito pouco para tudo o que queríamos da vida. Mas era o primeiro passo, era o que estava ao nosso alcance e o que bastava para revelar nosso espírito, nossa intensidade emotiva, nossa coragem para enfrentar os desafios que viriam. E fizemos isso com tanta intensidade e paixão, que contagiamos os amigos que decidiram não participar do bloco no primeiro ano, o que acabou culminando no surgimento, nos anos seguintes, dos blocos Tô-Que-Tô, Toloko, Balacobaco, PB!, Babilake e outros que a memória não alcança.

O bloco Maluko desapareceu em meados dos anos 90, no entanto, seu espírito ressurge nos meses de fevereiro, penetra em cada um dos recantos da cidade, anima a alegria dos foliões que cantam e dançam pelas ruas e se alimenta da vibração e energia dos abraços saudosos dos amigos que, trinta anos depois, mais uma vez se reencontram para celebrar a amizade e a arte de viver.

"...e a noite não tem fim é uma criança, em que se bebe e se embalança, e machuca o coração. Pega, vira, vira, roda, deixa a loira levantar, tem Maluko, ai que beleza , e cachaça pra tomar”.

E viva a vida!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Memória 112 (Time da Prefeitura)



Prefeitura Municipal (1989) - Formado por funcionários públicos municipais, esse time participava de torneios e amistosos durante a segunda administração do Prefeito Norival Cabrera: Em pé: Camisada, Zé Catraca, Santiago, Raé de Moraes, Norival Cabrera, Ademar Aquino, Celso Testa e Amoroso. Agachados: Osvaldo, Gappa, Pedro Giamatei, Orival Valeze, Anísio Costa e (não identificado).
(foto: Álbum de Pedro Giamatei).

Bar do Placidio

Budum, marido da minha querida amiga Neide da Silva - a Tia Neide - dia desses tomava umas cachaças no bar do Placídio Dourado, localizado na esquina da Avenida Antonino com a Rua Vicente Rodrigues Mendonça. Na verdade, ele é um dos mais assíduos frequentadores do boteco, que é tradicional ponto de encontro de amigos nos finais de tarde.

Sozinho no bar e sem ninguém para puxar assunto, ficou degustando a mardita e assuntando a televisão, que transmitia o torneio de ginástica olímpica dos Jogos Panamericanos de 2011, direto de Guadalajara, no México. De vez em quando, se admirava com os exercícios e fazia comentários para o dono do bar, que não resistiu em provocar o cliente:

- Budum, o que é que você tá assistindo?

- Uai Pracídio, é um negócio aí. Olha só como esse cabra pula!

- Você não entende nada disso não Budum! Aposto que nem sabe onde é?

- Lógico que eu sei rapaz! É em Guaranarrara...

- E onde fica essa cidade, você sabe?

- Ah! claro que sei. Fica pra lá óh! - apontou para os lados de Magda...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Memória 111 (Casas Pernambucanas)


Casas Pernambucanas (maio/1973) - Instalada na esquina da Avenida Diogo Garcia com a Rua Nadir Garcia, durante muitos anos a loja da Casas Pernambucanas foi o principal estabelecimento comercial de General Salgado, até fechar as portas nos anos 80.
(foto: Álbum de Alivina Luiza da Silva)

O cemitério de Nova Castilho

O jornal Folha da Região, de Araçatuba, publicou na edição do dia 02 de novembro de 2011, em alusão ao feriado de Finados, reportagem sobre o cemitério de Nova Castilho. Eis o teor da matéria:

"ABERTO HÁ 60 ANOS, CEMITÉRIO DE NOVA CASTILHO TEM APENAS 406 CORPOS

Menor cidade da região, Nova Castilho também tem um dos menores cemitérios. O espaço funciona oficilamente desde 1956, época em que a cidade ainda era distrito de General Salgado. O primeiro registro de enterro que se tem é o de Maria Quioveta, em fevereiro de 1956. Mais de 60 anos de funcionamento se passaram e apenas 406 corpos foram enterrados no local. O valor representa pouco mais de 30% do total de mortes registradas em Araçatuba no ano de 2009 (1.342 óbitos).

Com poucas mortes ocorrendo ao ano, não é de se admirar que os velóriso se tornem verdadeiros eventos públicos. "Quando alguém morre, um vai ligando para o outro. O povo comparece demais da conta. A vila é pequena, o povo é humilde e as pessoas estão muito juntas, é como se fosse uma única família", explica a responsável pelo cemitério municipal, Aparecida Tamborlin de Souza. No Dia de Finados, esta cena se repete.

Os túmulos de Nova Castilho, contam a história de pessoas conhecidas e anônimas que deram sua contribuição para o município. Uma das personagens é Izabel Honorato da Silva, que morreu em 1997, aos 25 anos. Eleita vereadora na primeira eleição municipal que a cidade teve, ela morreu num acidente de trânsito 12 dias após tomar posse do cargo. "Foi uma morte que marcou. Todo mundo na região conhecia ela", afirma o secretário municipal do Executivo, Benedito Aleixo Costa."

Aparecida, responsável pelo cemitério: "Quando alguém morre, um vai ligando para o outro".

"EM NOVA CASTILHO, MORRER ESTÁ FORA DE MODA; SAIBA MAIS SOBRE A HISTÓRIA

Se depender da longevidade da população de Nova Castilho, município a 65 quilômetros de Araçatuba, o cemitério municipal ainda terá tumulos vazios pelas próximas duas décadas. Na região de Araçãtuba, a população nova-castilhense é a que registra menos casos de morte e, no Estado, é a terceira com menor quantidade de óbitos. Com número reduzido de velórios, a cidade não tem nem coveiro.

De acordo com as últimas estatísticas do Registro Civil, divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a primeira posição no ranking das cidades que menos registram mortes é ocupada por Borá (SP), o menor município do Brasil, quie em 2009 registrou quatro mortes. Na sequência, aparece o município de Uru (SP), com sete mortes. Nova Castilho vem em seguida, com oito óbitos.

O nova-castilhense Roberto Carlos Silveira morreu de câncer aos 37 anos de idade, cinco dias antes do Natal de 2004. Coube ao pai dele, o ex-coveiro Sílvio Antonio Silveira, 73, a tarefa de enterrar o corpo do filho. Ele diz que, apesar de ter sentido saudade como pai, executou de maneira profissional a função de sepultar Roberto.

Sentado no túmulo do filho, o último coveiro de Nova Castilho lembra o motivo que deu a Roberto o apelido de "campeão", escrito na lápide. "Ele jogava bola, por isso o pessoal o chamava de campeão". Sílvio ficou na função por 33 anos, se aposentando há três anos. "Além do cemitério, eu mexia com encanamento, roçava beira de estrada, limpava esgoto. Se fosse só enterro, eu não trabalhava", explica, destacando a quantidade pequena de velórios registrada na cidade."

Sentado no túmulo do próprio filho, que ele mesmo enterrou: o último coveiro de Nova Castilho.

O que a matéria publicada no jornal araçatubense não esclarece, porém, é que 406 é o número de sepultamentos lançados nos registros oficiais, ou seja, a partir de 1956. A fundação de Nova Castilho consta como sendo em 1923, porém, sabe-se que em 1914/1915 já havia um pequeno arruado no local, sendo bastante lógico admitir que o cemitério tenha surgido nesse período. Além disso, até 1928, quando surgiu a cidade de General Salgado, era o único cemitério da região.

Alguns membros da família Marques (que chegou ao local em 1906) e faleceram nos anos 20/30, foram sepultados em Nova Castilho, como por exemplo, Luiz José Marques (falecido em 1930) e seu filho Izidoro Luiz Marques (falecido em 1929). Maria Cândida Marques, esposa de Firmino Luiz Marques, faleceu em 1930 e também foi sepultada no local. Se o repórter araçatubense tivesse observado melhor o local, teria encontrado diversos túmulos com datas de sepultamento anteriores a 1956.

Os mortos eram levados ao cemitério em carroças e até mesmo na garupa de montarias. Segundo relatam antigos moradores, naquele tempo o cemitério era um campo aberto, sem muros, os cadáveres eram embrulhados em mantas de tecido e depositados em valas abertas no chão. Meu avô Braz Firmino Marques contava que em 1930, quando sua mãe faleceu, ele e o irmão João Firmino tiveram que passar diversas noites no cemitério vigiando e impedindo - a balas de carabina - que o cadáver fosse atacado por animais.

É certo dizer, portanto, que a quase centenária Nova Castilho tem muito mais gente sepultada no cemitério do Município.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Feliz 2012


Praça Nossa Senhora das Dores - General Salgado (SP)
(Foto: Glauber Costa, publicada no site oficial da cidade: http://www.generalsalgado.sp.gov.br/)

Na aplicação de qualquer receita destinada à composição da felicidade, não te esqueças do aviso de que a felicidade nasce de ti mesmo.

Não aguardes do mundo a segurança que tão somente poderá ser construída por ti mesmo, dentro de ti.

Nunca menosprezes o trabalho que a vida te confiou.

A tarefa que desempenhas hoje é a base de teu apoio futuro.

Aceita-te como és e com aquilo de que disponhas para realizar o melhor que possas.

Observa que não existe criatura alguma destituída de valor e da qual não venhas a necessitar algum dia.

Quanto possível, conserva a luz da virtude que te norteia a elevação, mas não permitas que a tua virtude viva sem escadas para descer ao encontro daqueles que se debatem sob a ventania da adversidade a te pedirem socorro e compreensão.

Sê fiel ao campo da verdade que abraças, sem desconsiderar a parte da verdade em que os outros se encontram.

Usa a paciência nas pequenas dificuldades para que te não falte serenidade nas grandes crises que todos somos levados a facear nas trilhas do tempo.

Não te apegues aos anseios da juventude, nem te acomodes com o cansaço de muitos que ainda não aprenderam a viver com a criatividade da madureza.

Recorda que até hoje ninguém descobriu o ponto de interação onde termina a fadiga e começa a ociosidade.

Em qualquer tempo, exercita a fortaleza espiritual para que as tuas energias não se dissolvam, de inesperado, quando as calamidades da experiência humana se façam inevitáveis.

Resigna-te a transitar no mundo, entre os que se te revelem na condição de opositores naturais aos teus pontos de vista, mas não formes inimigos nem cultives ressentimentos.

Não abuses e nem brinques com os sentimentos alheios.

Guarda a tua paz, ainda mesmo nas grandes lutas.

Não creias em pessimismo e derrota, solidão e abandono, porque, se amas conforme determinam as Leis do Universo, descobrirás a beleza e a alegria em qualquer circunstância e em qualquer parte da Terra.

E jamais desesperes, porquanto sejas quem sejas e estejas onde estiveres, ninguém te pode furtar o privilégio da imortalidade e nem te arredar do esquema de Deus.

EMMANUEL
(Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião pública da noite de 26 de Janeiro de 1973, na Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba, Minas Gerais).

Feliz Natal


Praça N. Sra. das Dores - General Salgado (SP)
(foto: Glauber Costa, publicada no site oficial da cidade: http://www.generalsalgado.sp.gov.br/).

Soberano Singular

Durante milênios Ele foi aguardado. Falava-se de um soberano poderoso, governador das estrelas. Um Ser, cujo poder abalaria o mundo.

Os homens O idealizaram coberto de riquezas, rodeado de servos. Imaginaram que Seu nascimento seria noticiado a todos os poderosos da Terra.

Que haveria sons de trombetas e anúncios bombásticos. Então, Ele chegou. Aguardou um dia em que a cidade regurgitava de estrangeiros e todas as mentes estavam voltadas para as questões das suas próprias existências. Buscou um lugar mais afastado, longe do burburinho das gentes. Um estábulo.

Entre o feno foi-Lhe preparado um improvisado berço. E Ele veio à luz, tendo como testemunhas silenciosas um boi e um burro. Animais que simbolizam o trabalho e a submissão.

Escolheu por pai um carpinteiro, um homem de índole pacífica e rija têmpera. Por mãe, uma jovem mulher, portadora de peregrinas virtudes e invulgar sabedoria.

Como arautos de Sua chegada teve um coro de vozes celestiais segredando a almas simples, no campo, as notícias alvissareiras: chegara o Rei.

E os pastores, deixando suas ovelhas, foram procurar o menino envolto em panos, conforme lhes falara o celeste mensageiro.

Um nascimento na noite/madrugada. Um menino que dividiria a História da Humanidade, que conquistaria o reino mais difícil de ser encontrado: o coração da criatura humana.

Na fragilidade em que Se exilou, de forma temporária, pacientemente aguardou que o tempo Lhe fosse propício à semeadura para a qual viera.

Quando o tempo se fez, deixou o lar paterno e foi amealhar Seus seguidores. A nenhum prometeu valores amoedados ou projeção pessoal. Ao contrário, falou de abnegação, de perseverança e dedicação. Alertou que nada deviam esperar do mundo porque Ele próprio não era detentor de uma pedra sequer para repousar Sua cabeça.

Alertou do trabalho incansável a que Ele Se devotava, da mesma forma que o Pai que está nos Céus.
Disse das aflições e das perseguições que padeceriam, simplesmente por segui-lO e divulgar a Sua mensagem.

Veio para servir, jamais desejando para Si qualquer honraria ou deferência. Encontrou o coração dilacerado de uma mãe viúva, conduzindo o corpo do filho ao túmulo e o restituiu ao materno carinho.

Estendeu convite a um jovem rico de ambições, a uma mulher equivocada, a um cobrador de impostos, a uma vendedora de ilusões. Consolou os aflitos corações das mulheres que por Ele derramavam lágrimas, no caminho do Calvário.

Entregou-Se em sacrifício, sem nenhuma nota dissonante, e dignificou a morte, aceitando-a em preces ao Pai.

Na data em que Seu nascimento é lembrado, entre cânticos de ventura e mimosas trocas de presentes, nossos corações se erguem, em preces, louvando-Lhe a Celeste presença.

E, com sempre inusitada alegria, reunimos a família em torno da mesa, visitamos os amigos, abraçamos os colegas.

Tudo em nome e em homenagem a um menino, Celeste Menino, vindo das estrelas ao nosso ainda pobre e sofrido planeta de provas e expiações.

Rei solar. Rei dos céus. Pastor das almas. Mestre e Senhor. Nosso Senhor Jesus.

(redação do Momento Espírita. Em 19.12.2011).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Memória 110 (Romano e Romeu)



Romano e Romeu (1981) - Os irmãos Marão e Odair animavam as festas salgadenses nos anos 70, e no início dos anos 80 conseguiram gravar alguns discos com relativo sucesso. Exímios violonistas, eram requisitados em toda a região para cantar em festas e eventos.
(foto: Álbum de Pedro Giamatei).

New Castilho City

Essa aconteceu em meados dos anos 80.

Zé do Braz arrumou um peão que não tinha muito jeito para o trabalho, chamado Angorá. Como o dito cujo não gostava do batente, o patrão começou a carregá-lo para cima e para baixo como companhia. Passou a ser tratado de "segurança do Zé do Braz", e gostou da idéia, praticamente assumindo o papel. Em todos os locais em que paravam para conversar com alguém ou tratar de algum negócio, o peão ficava olhando ao redor, comportando-se como verdadeiro guarda-costas.

Certo dia em Nova Castilho, o segurança chegou no boteco do Zé Carlos Honorato e avisou que o "doutor Zé do Braz" tinha ido embora para Auriflama e deixado a ele a responsabilidade de cuidar do vilarejo. Imediatamente a turma decidiu aprontar alguma.

Gumercindo Pereira saiu de fininho e, ao retornar, começou a discutir am altos brados com o Zé das Vacas. No meio do bate-boca levantou a camisa para mostrar um revólver na cintura. Zé das Vacas foi até o carro e também retornou armado, dando corda à "discussão" e exibindo o revólver. Quando notou os contendores armados e percebeu que a discussão poderia piorar, Angorá tentou acalmar os ânimos. Mas sua intervenção nada adiantou e o bate-boca pegou fogo. De repente os brigões partiram para o meio da rua e sacaram as armas, enquanto o Angorá se escondeu atrás do balcão da venda.

Gumercindo e Zé das Vacas, um atrás de um poste e outro acocorado ao lado de um carro, apontavam as armas e faziam de conta que atiravam. Enquanto isso, alguém da turma acendia bombinhas de festa junina e jogava na rua ao lado. Depois de uns dez minutos de tiroteio - acabou o estoque de bombas - tiveram que dar uma trégua, e o Angorá, aproveitando o armistício, saiu correndo em direção ao Posto Telefônico.

Naquele tempo, o Posto Telefônico funcionava ao lado do Bar do João Careca, e sua filha Dinha era uma das telefonistas. Esbaforido e com os olhos arregalados Angorá entrou no posto e pediu uma ligação urgente para o Dr. Zé do Braz, em Auriflama. Mas a telefonista também estava avisada da brincadeira, e transferiu a ligação para a casa do Gumercindo, onde todos aguardavam o fecho da estória.

- Dr. Zé do Braz, pelo amor de Deus! O senhor precisa vir aqui em Nova Castilho agora!

- Que aconteceu Angorá? - perguntou Gumercindo tentando imitar o Zé do Braz - Eu não deixei você responsável por tudo? Como é que você me deixa acontecer alguma bagunça aí? O que é que foi?

- Doutor! Isso aqui virou um faroieste!